Associação Recreativa Cultural Escola de Samba
EMBAIXADA DO MORRO
Apesar
das notícias diárias dos acontecimentos da “Segunda Guerra
Mundial” que se desenrolava na Europa, Norte-Africano e Oceano
Pacífico, a cidade de Guaratinguetá vivia um período de tranqüilidade
e de muitos festejos.
As
comemorações típicas, com suas datas rigorosamente marcadas,
transcorriam-se normalmente, inclusive no bairro da Pedreira,
e um exemplo desse fato era a tradicional Dança do Jongo,
uma das inúmeras atrações da Festa de Santa Cruz da Madalena.
Ainda
na mesma época, impreterivelmente nos fins de semana, o samba
amanhecia “quente” no popular Bar do Totó
Miranda, na Pedreira, e terminava no Alto de São João, o ponto
mais alto do Morro. Durante os dias de Carnaval,
diversas agremiações carnavalescas dirigiam-se ao centro da
cidade para divertir o público, tocando e cantando as suas
marchinhas. Dentre os Blocos e Cordões, destacavam-se: Os
Tangarás, Flor de Abacate, Vai Quebrar,
Tesouras, Flor da Avenida, Alecrim de Bronze e outros.
Quase
todos os bairros, portanto, tinham os seus representantes
nos festejos de Momo. Faltava a Pedreira e o Alto das Almas.
Assim, um grupo de moradores, num momento de inspiração, decidiu
pela criação de uma agremiação que fosse a legítima representante
do samba na comunidade. Criaram, então, o Bloco Carnavalesco
Embaixada do Morro, ou seja, a residência dos mais altos representantes
do samba no Morro, os imponentes “Embaixadores”. Em função
da Guerra, a palavra Embaixada era utilizada com freqüência
nos noticiários de rádio e jornal.
Os
fundadores foram José de Oliveira Osório (Zezinho Terra-Boa),
José Vieira dos Santos (Pel), José
Galvão (Pinduca), Eduardo Leite
(Dadá), João Filinto
e Paulo dos Santos (Dorly). Criaram
profundas raízes no Morro e, logo no ano
seguinte, a Embaixada do Morro já
fazia seu primeiro desfile.
No
início dos anos 50,
a Prefeitura ofereceu ao bloco carnavalesco
um terreno para a sua sede própria. Após a construção, em
função de decisões políticas, o prédio passou para os domínios do Pedreira
Futebol Clube. Porém, os ensaios e os bailes da agremiação
continuavam sendo realizados na "Sedinha" do referido
time. O futebol e o samba continuaram unidos, dando muitos
títulos aos bairros.
A
Embaixada do Morro firmava-se, ano a ano, como um dos blocos
mais fortes de Guará. Ao som das marchinhas de sucesso, a
entidade desfilava todos os anos com temas e fantasias marcantes,
como: Toureiros, Mexicanos, Ciganos, "Bat-Masterson", Marinheiros, dentre outros. Os anos 60
foram decisivos para a história da Escola, pois foi uma década
marcada por profundas e radicais mudanças. Antigas agremiações
carnavalescas haviam desaparecido, dando lugar a outros concorrentes maiores e mais
fortes, como "Alegria e Nada Mais" e "Bonecos
Cobiçados".
A
Embaixada do Morro também crescia em adeptos e criatividade.
Começaram a aparecer os primeiros carros alegóricos, a ter
participação de crianças e mulheres; até então, discriminados
por desfilarem em entidades carnavalescas.
Em
1965, a agremiação passou
de Bloco Carnavalesco para Escola de Samba, com samba próprio,
e iniciava-se a exclusão dos instrumentos de sopro da bateria.
Em 1969, ao completar 25 anos de existência, o G.R.C.E.S.
Embaixada do Morro desfilava nas ruas centrais, com toda estrutura
de uma Escola de Samba, com o enredo: "Visconde de Guaratinguetá",
assumindo o “Vermelho e Branco” como suas cores oficiais.
Até
então, não havia concurso oficial. A premiação era feita por
voto popular e por simpatizantes. À
partir de 1970, os desfiles foram transferidos para a Avenida
Presidente Vargas, tendo início o Concurso Oficial das Escolas
Samba, promovido pela Prefeitura Municipal. E, por quatro
consecutivos anos, a
Embaixada do Morro sagrou-se Campeã dos Carnavais, obtendo,
então, o título único e até hoje inédito, de Tetra-Campeã. Os contatos com entidades carnavalescas do Rio
de Janeiro se intensificaram e, pela semelhança das cores,
sofreu marcante influência da Escola de Samba Acadêmicos do
Salgueiro.
Os
anos seguintes foram marcados pelo surgimento de novas agremiações
carnavalescas. As disputas se intensificaram, contribuindo
para a melhoria da qualidade das Escolas de Samba. O nome
de Guaratinguetá e o seu Carnaval começaram a ser divulgados nos diversos calendários
turísticos do país, como visita obrigatória.
A
construção de sua Quadra de Ensaios, em 1978, em ponto estratégico
do Morro, teve papel fundamental para o bairro, como efetivo ponto
de encontro dos moradores. Enfim, bairro e moradores com identidade
única: "Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Embaixada
do Morro".
Em
1981, depois de cinco anos sem títulos, a Embaixada do Morro
realizou aquele que é considerado um de seus maiores desfiles:
“O Ano da Emília”, como ficou conhecido, trazendo um enredo
de Monteiro Lobato e a certeza do título de campeã. Outras
conquistas vieram somar ao invejável cartel de 15 títulos e 15 vice-campeonatos, mostrando que
a Escola cresceu com o Carnaval de
Guaratinguetá.
Pela
tradição do puro samba, “Embaixada do Morro” tem o maior número
de torcedores e simpatizantes em Guaratinguetá e todo o Vale
do Paraíba. A Ala das Baianas, que sempre contou com as presenças
de “Nê” e “Nhá”, integrantes da
data da fundação da agramiação,
constitui um atrativo especial nos
desfiles da agremiação; assim como a Ala das Crianças, contribuindo
na formação dos carnavalescos do futuro.
O
emblema da agremiação é a coroa real, dourada, rodeada por
ramos de café e decorada por quatro estrelas (Tetra-Campeã).
É a única agremiação que participou de todos os carnavais
oficiais, contribuindo, inclusive, para a fundação de outras
entidades em Guaratinguetá e cidades vizinhas.
Desde
2007, seguindo as regras do Novo Código Civil Brasileiro,
passou a denominar-se Associação Recreativa
Cultural Escola de Samba Embaixada do Morro.
A.R.C.E.S. EMBAIXADA DO MORRO:
64 ANOS DE GLÓRIAS
