Folia de Momo:
"O Carnaval Tupiniquim"

As Origens das Escolas de Samba

O nome “Escola de Samba” nasceu em 1928, no bairro carioca do Estácio   (Rio de Janeiro), numa roda de amigos. Entre eles estava Ismael Silva, compositor com talento de “sobra”, tanto que até vendia algumas músicas ao cantor Francisco Alves. Mas a fama não diminuía a discriminação. Ao contrário, sambista era sinônimo de malandro e arruaceiro. E Ismael já estava cansado disso. No meio da conversa, olhou para a Escola Normal, ali na esquina, e teve a idéia: se eles eram tão bons na única coisa que sabiam fazer, por que não fundavam um grupo pacífico para mostrar sua arte?

Prático, criou uma definição para o seu conjunto: “Deixa Falar”, nós também somos mestres. Somos uma “Escola de Samba”. Mas Ismael só deu o nome. A agremiação que acabara de fundar não foi, de fato, a primeira do gênero. A “Deixa Falar” era, na verdade, um rancho, outro tipo de associação carnavalesca.

A turma que realmente seria a raiz da Escola de Samba era outra, mais regrada ainda: os negros ligados aos cultos de origem africana. “Existe um terreiro de macumba na origem de toda Escola de Samba”, como disse a pesquisadora carioca Marília Trindade Barbosa da Silva, em uma entrevista a uma revista nacional.

Os ranchos eram clubes da classe média baixa, nos quais os sócios pagavam mensalidade, compravam instrumentos de corda e sopro e se organizavam para desfilar em fevereiro. O primeiro surgiu em 1872, o “Dois de Ouro”. Formados por homens e mulheres, as pastorinhas, arrastavam as sandálias na Segunda-Feira de Carnaval.

Eram chamadas grandes sociedades, as associações de jovens de alta classe, que saíam em enormes carros alegóricos com mensagens políticas. A primeira foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, criada em 1855 por profissionais liberais e saudada pelo escritor José de Alencar.

Em 1848, o sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes saiu batendo o bumbo que, tocado na horizontal, virou o surdo de hoje. Quem quisesse, ia atrás. Assim se formaram os blocos, compostos apenas de homens.

Em 1886, os jornais chamaram de cordões, os “grupos de foliões mascarados e provocadores”. Saíam fantasiados, satirizando personalidades. Um mestre com apito comandava tambores, cuíca e reco-reco. O cronista João do Rio, viu no cordão, sinais da antiga Festa de Nossa Senhora do Rosário, na qual cortejos de negros saíam sacudindo chocalhos e entoando cânticos.

A moda do corso, um desfile motorizado, foi lançada no dia 1º de Fevereiro de 1970, quando o carro das filhas do presidente da República, Afonso Pena, percorreu a avenida Central (atual Rio Branco), no Rio de Janeiro, de ponta à ponta, antes que elas subissem ao prédio da Comissão Fiscal das Obras do Porto para assistir à folia.

Na Roma antiga, os lupercos, sacerdotes de Pã, saíam no dia 15 de Fevereiro apenas com sangue de cabra sobre o corpo, perseguindo as pessoas na rua. No Brasil, os portugueses faziam uma guerra de baldes d’água e lixo, chamado entrudo, sem dança ou música. No começo do século, a “molhança” foi substituída por confete, serpentina e lança-perfume.

Em Guaratinguetá, a “Atenas do Vale do Paraíba”, não foi diferente, seguindo os passos do Rio de Janeiro, transformou o desfile de Escolas de Samba da cidade, em um dos melhores do país.

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