Dos "Banhos à Fantasia"

até as Escolas de Samba

Também ficaram famosos os “Banhos à Fantasia”, que aconteciam anualmente, à margem do Rio Paraíba, realizados às vésperas do Carnaval.  Os foliões se preparavam para o banho, com fantasias de papel, e não se esqueciam de registrar o fato em boas fotografias, que podem ser encontradas no Museu Frei Galvão, em Guaratinguetá.

No ano de 1957, quando esmorecia o Carnaval de Rua de Guaratinguetá, e a população sentia que aquilo poderia ser um final melancólico para uma festa de tradição, surgiu um grupo de rapazes e moças do Bairro do Campinho, que sem pretender concorrer com o “Alegria”, “Flor da Avenida” e outros blocos carnavalescos, iniciaram uma nova etapa do Carnaval de Guaratinguetá. *1

O grupo era encabeçado por Chico da Júlia, Toninho da Tininha, Normando, Avelino, José Lopes e muitos outros, conseguindo instrumentos feitos de carbureto, latas e qualquer coisa que emitisse um som, vestindo fantasias que cada um criou para aquela oportunidade, descendo para a Praça Conselheiro Rodrigues Alves e pela 1ª vez apresentando-se para o nosso povo.

Nem bem havia passado o Carnaval, concluíram que poderiam com muito esforço, desfilar no ano seguinte como uma entidade denominada “Escola de Samba”. O seu 1º Presidente, muitos não chegaram a conhecer, pois foi vítima de um acidente na Via Dutra. Seu nome: “Chico da Júlia”.

Faltava um nome para a Escola de Samba, e encontraram uma música que levava o nome de “Boneca Cobiçada”, ficando então formada, à partir daquele instante, a Escola de Samba “Bonecos Cobiçados”. Em 1972, criou-se o emblema oficial.

Somente em 1973, aconteceu a fundação oficial da Escola de Samba, quando elaborraram-se os estatutos e a Escola foi registrada na “Associação das Escolas de Samba de Guaratinguetá” e Prefeitura Municipal, com as cores “Verde e Rosa”. Foi reconhecida como utilidade pública no mesmo período.

À partir de então, começaram a surgir as primeiras Escolas de Samba, ligadas algumas delas, a antigas agremiações carnavalescas, e se espelhando nas já famosas Escolas de Samba do Rio de Janeiro. O fato fez com que, em 1970,  os desfiles carnavalescos se transferissem do centro da cidade para a Avenida Presidente Vargas, além do Rio Paraíba, onde permanece até hoje.

Na década de 60, o mundo parece estar em ebulição, as descobertas científicas e as relações sociais mudam numa velocidade até então inédita.  As mulheres protagonizam a chamada “Revolução Social”. O homem preparava-se para pisar na Lua e mudar o curso da história. O Brasil vai descobrindo a sua identidade e o Carnaval brasileiro conquista o mundo.

É neste contexto, que um grupo de amigos, integrantes de um pequeno time de futebol da Tamandaré, e por foliões vindos do Bloco “Pouca Roupa”, como: Zé do Bar, Lê, Chico Abrange, Nino, Homero e Geraldinho Moreira, fundam em 1967, o “Bloco Carnavalesco da Rua da Tamandaré”. O Bloco seria o embrião da Escola de Samba Unidos da Tamandaré, que desfilaria pela 1ª vez no Carnaval de 1970, ficando com troféu no “Conjunto Fantasia”. Mas, somente em 1974, com suas idéias singulares e a paixão pelo que fazia, que um jovem carnavalesco chamado “José Moacyr”, iria mudar para sempre a história da Escola e do próprio Carnaval de Guaratinguetá.

Um início inimaginável. Um grupo de amigos. Um cursílio religioso. Um curso para redescobrir a fé. Um bate-papo informal durante o intervalo.”Por que não fundamos o nosso próprio bloco, composto por estudantes, normalistas, e por quem mais vir ?”

Os amigos eram Carlos Faro, José Prudente, Zoza e João Alckmin...
Em janeiro de 1970, como um foco de resistência, depois da fusão do “Bloco dos Estudantes” com “Bloco Beira-Rio”, surgia a “Escola de Samba Beira-Rio dos Estudantes”, saindo pela primeira vez em 1971, com as cores vermelha, azul e branca.

Seus ensaios eram realizados no antigo D.A. – “Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá”, passando mais tarde para a Sede Piscina (Vila Paraíba) do Clube Literário e Recreativo Guaratinguetaense.

Em 1978, saiu pela primeira vez como “Beira Rio dos Estudantes”. No ano seguinte, escolheu o Bairro da Nova Guará e adjacências como seu reduto carnavalesco. Passou a se chamar “G.R.C. Escola de Samba Beira-Rio da Nova Guará”.

Para o orgulho de seus eternos presidentes, “José Roberto Amaral Pasin” e “Leonardo Casella”, a agremiação mudou as cores para “verde e branco”. A trajetória do Beira-Rio, durante muitos anos, foi a trajetória dos próprios estudantes de Guará. Jovens da cidade, ligados ao centro estudantil, foram para a Avenida pela primeira vez naquele momento. E nunca mais conseguiram ficar longe dela.

A “Associação Recreativa Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre” do Bairro do Pedregulho, fundada no dia 17 de novembro de 1974 e oficializada em 21 de abril de 1977, começou pequena em uma Sede Provisória no Teci-Guará Futebol Clube.

Com muita dificuldade, mas com muita garra, foi crescendo a cada ano e hoje possui uma ótima sede à Rua Professor Virgílio Vieira dos Santos, nº 300, no Bairro do Pedregulho.

A Escola de Samba Mocidade Alegre tem como origem um dos mais antigos blocos carnavalescos da margem esquerda do Paraíba, o “Flor da Avenida”, defende as cores “vermelho, azul e branco”; acrescentando, posteriormente, o dourado, às cores tradicionais.

Orestes Batista, Jorge Batista, André Francisco, Hugo do Prado e Urbano do Prado. Amigos que idealizaram e fundaram a Escola vermelha, azul e branca ... No imaginário coletivo desses homens e de todos os componentes da Escola, a imagem recorrente é a vitória da Escola em 1992. Uma vitória carnavalesca e jurídica, inesquecível para a Mocidade, dividindo o título com a “Escola de Samba Acadêmicos do Campo do Galvão”.

Também no ano de 1974, no Bar do Beni, no Campo do Galvão, um grupo de amigos conversavam sobre o Carnaval em plena quarta-feira de Cinzas. Em meio à constatação de que a maioria dos bairros da cidade já participavam do Carnaval, surgiu a idéia “Por que não fundar uma Escola de Samba representando o bairro ?”

Alguns alegaram que aquilo era “Ressaca de Carnaval”. Mas o grupo conseguiu mobilizar a todos e marcar um churrasco para o domingo seguinte, onde tentariam concretizar o sonho coletivo. Durante o churrasco, descobriram que a solidariedade e a identificação com o projeto era total. Dentre os fundadores, que formariam a primeira diretoria, estavam, Luiz do Nascimento e Darcy Galvão, que decidiram como seria o nome da Escola. Unidos do Campo do Galvão ? Império do Campo do Galvão ? Não. ”Acadêmicos do Campo do Galvão”... sendo fundada em 31 de Março de 1974 e reconhecida de utilidade pública em 26 de Dezembro de 1974.

Sua primeira apresentação para o Carnaval de Guaratinguetá, deu-se no ano de 1975, com o enredo “Saudação à Bahia”, do carnavalesco  Wagner de Castro Rodrigues, com samba-enredo de autoria de José Luiz Castro e Júlio Ricarte, que ficou em segundo lugar no Festival da Escola de Samba Embaixada do Morro e foi “acolhido” pela comunidade do Campo do Galvão.

Quanto às cores da Escola, ficaram sendo oficiais: azul, branco e vermelho, pois com relação às cores do time de futebol eram: azul, branco e preto, resultando assim, a troca para o vermelho.

Outras duas Escolas de Samba desfilaram no Carnaval da cidade, mas tiveram vida curta. São elas: Império do Sol, do Bairro do Pedregulho, fundada em   30 de janeiro de 1984 e realizando seu último desfile em 1988. E a inesquecível  Escola “Democratas do Samba”, do Bairro Santa Rita, fundada em 1992. Nenhuma das duas Escolas obtiveram títulos.

Um dia anterior ao Desfile das Escolas de Samba, acontece em Guaratinguetá, a disputa das agremiações filiadas à L.E.S.A.G., que é a 2ª Divisão competitiva do Carnaval. Dentre estes, existiram em Guaratinguetá :

DENOMINAÇÃO - FUNDAÇÃO

Lelé da Cuíca - 10/01/1973 (o mais vitorioso – 12 títulos)
Universidade da Pingalogia - 03/02/1971
Alegria da Vida - 1978
Bons da Bola - 1978
Imperador do Samba - 27/02/1982
Mocidade Ind. Jd. Tamandaré - 26/02/1982
Unidos da Princesa Isabel - 11/10/1981
Caçulas do Samba - 19/09/1982
Império do Girassol - 1984
Unidos do Parque - 1984
Unidos do Jardim Modelo - 1987
Águia de Ouro - 1987
Bloco do Fegão - 1988
Bloco da Lata - 1988
Verde e Rosa - 1991
Unidos do São Dimas - 1991
Unidos da Pires Barbosa - 1991
Climério Galvão - 1995 (Último Tri-Campeão)
Princesa do Vale - 1999

A disputa pelo título de Escola de Samba campeã da cidade, começou logo com as primeiras Escolas que surgiram no final das décadas de 1950 e 1960 (G.R.C.E.S. Bonecos Cobiçados e G.R.C.E.S. Embaixada do Morro), onde o “título” era dado à Escola através de “voto popular”, sendo assim, até 1969.

À partir de 1970, com a transferência do Desfile Oficial para a Avenida Presidente Vargas; no Bairro Vila Paraíba, as Escolas de Samba passaram a ser avaliadas por uma comissão julgadora (jurados), que avaliam e dão nota para um total de nove quesitos da Escola. São eles: comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, alegoria e adereços, fantasias, harmonia, evolução, enredo, samba-enredo, e bateria. São três notas para cada quesito; das três, a menor é descartada. Valem os décimos de nota.

Cada quesito ainda recebe um troféu à parte, chamado “Estandarte de Ouro”. A Escola também tem que tomar cuidado com o tempo de desfile, não podendo passar do tempo oficial; ou como é mais comum falar, “estourar o tempo”. Cada escola tem 1 hora e 10 minutos para desfilar (65 minutos + 5 minutos de tolerância). Passando deste tempo, a agremiação começa a perder pontos; mais precisamente, 01 por minuto.

Depois de tudo isto avaliado e as notas somadas, o título vai para a Escola que tiver a maior nota final. Todo o Carnaval possui o seu Rei Momo. O mais famoso Rei Momo da cidade foi “Gordo Cavalca”, que simbolizava a grandeza do Carnaval. O Rei Momo é escolhido anualmente, junto com as Rainhas (adulta e infantil) e Princesas (adulta e infantil) do Carnaval.

Um Bloco que não pode ser esquecido é o da “Banda Mole”, que faz a abertura oficial do Carnaval de Guaratinguetá. Os foliões se reúnem defronte à Catedral de Santo Antônio; a maioria deles se vestem com roupas de mulher, e ao final da missa, os foliões saem percorrendo as velhas ruas da cidade, sempre acompanhado pelo povo, dançando e cantando com a letra nova, de críticos e fatos do ano anterior, no ritmo de músicas de antigos carnavais. Na ocasião,  o Prefeito Municipal entrega a chave da cidade ao Rei Momo, que deverá governá-la durante os três dias que precedem a “Quaresma”.

*1: O histórico da Escola de Samba “EMBAIXADA DO MORRO”, está em um link específico, na página inicial do site.

 

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